“Rogai, pois, ao Senhor da messe que envie trabalhadores para a sua messe” (Mt 9,38).
Neste primeiro domingo do mês de agosto, a Igreja no Brasil inicia o Mês Vocacional voltando seu olhar para aqueles que foram chamados a configurar toda a sua existência a Cristo, Bom Pastor. Rezamos, hoje, de modo especial, pelos bispos, presbíteros e diáconos, para que permaneçam fiéis ao dom recebido e sejam homens de oração, de santidade e de total entrega ao Reino de Deus.
As vocações ordenadas não nascem do desejo humano de grandeza, mas do coração de Deus. Antes que um sacerdote suba ao altar para pronunciar as palavras da consagração, antes que um bispo imponha as mãos, antes que um diácono proclame o Evangelho, Deus já os havia chamado pelo nome. O ministério ordenado é, antes de tudo, uma resposta de amor Àquele que primeiro amou.
Vivemos tempos em que muitas vozes disputam o coração humano. Há quem busque poder, reconhecimento, segurança ou prestígio. Entretanto, Cristo continua repetindo silenciosamente às margens do nosso cotidiano: “Segue-me.” E somente quem aprende a silenciar diante de Deus é capaz de ouvir esse chamado.
Santa Teresa de Jesus dizia:
“Quem tem Deus nada lhe falta. Só Deus basta.”
Esta frase resume toda vocação sacerdotal. O padre não é chamado para possuir muitas coisas, mas para possuir unicamente Deus. Quanto mais Deus ocupa seu coração, mais ele se torna pai para o povo, pastor das almas e sinal vivo da presença de Cristo.
Entretanto, o sacerdote não nasce santo. Ele também conhece o peso da cruz, das incompreensões, do cansaço, das noites escuras da alma e das lutas interiores. Por isso nossa oração hoje é indispensável. Um sacerdote sustentado pela oração do povo torna-se um pastor fortalecido pela graça.
São João da Cruz nos ensina:
“No entardecer da vida seremos julgados pelo amor.”
Esta palavra não vale apenas para os fiéis, mas também para cada ministro ordenado. Deus não perguntará quantos templos construiu, quantos títulos recebeu ou quantas funções exerceu. Perguntará quanto amou, quanto serviu, quanto se deixou consumir pelo rebanho que lhe foi confiado.
O sacerdote é chamado a gastar a vida. Como a vela que se consome para iluminar, como o incenso que desaparece enquanto perfuma o templo, assim também deve ser sua existência: escondida, oferecida e inteiramente entregue.
Santa Teresinha do Menino Jesus contemplava o sacerdócio com profundo amor. Embora nunca pudesse exercer esse ministério, compreendia sua grandeza. Ela escreveu:
“Se eu fosse sacerdote, como levaria Jesus nas minhas mãos com que amor!”
Seu coração ardia de desejo de amar aqueles que receberam esse dom. Por isso oferecia sacrifícios, sofrimentos e pequenas renúncias pela santificação dos sacerdotes. Ela compreendeu que toda a Igreja é responsável por sustentar aqueles que Deus escolheu para o ministério.
Também nós devemos perguntar: rezamos pelos nossos padres? Ou apenas nos lembramos deles quando erram? Quantas vezes pedimos que Deus os fortaleça nas tentações, os console nas dificuldades, os preserve na fidelidade e lhes conceda alegria em servir?
Santa Teresa de Jesus também afirmava:
“O verdadeiro progresso da alma não consiste em pensar muito, mas em amar muito.”
O sacerdote será fecundo não pela eloquência de seus sermões, mas pela intensidade de sua união com Cristo. As maiores transformações da história da Igreja nasceram de sacerdotes profundamente enamorados de Deus.
São João da Cruz vai ainda mais longe quando escreve:
“Para vires a possuir tudo, não queiras possuir coisa alguma.”
A lógica do Evangelho sempre será a lógica do esvaziamento. O sacerdote encontra sua verdadeira riqueza justamente quando deixa de viver para si mesmo. Seu coração precisa tornar-se espaço onde Cristo possa amar, ensinar, absolver, alimentar e consolar o povo.
Em um mundo marcado pela pressa, o sacerdote é chamado a recordar que Deus ainda fala no silêncio.
Num mundo dividido pelo ódio, ele anuncia a reconciliação.
Num mundo sedento de sentido, ele aponta para a eternidade.
Num mundo cansado, ele oferece Cristo na Eucaristia.
Nenhuma inteligência humana poderia inventar um dom tão sublime quanto o sacerdócio.
Santa Teresinha também nos recorda:
“A santidade consiste numa disposição do coração.”
Esta é talvez uma das maiores necessidades da Igreja hoje: sacerdotes santos. Não necessariamente famosos, mas profundamente unidos a Cristo; não necessariamente brilhantes aos olhos do mundo, mas transparentes da presença de Deus.
A Igreja não precisa apenas de muitos sacerdotes. Precisa de sacerdotes configurados ao Coração de Jesus.
Rezemos também pelos seminaristas, para que perseverem. Pelos jovens que escutam o chamado, para que não tenham medo de responder. Pelos que desanimaram, para que reencontrem a esperança. Pelos sacerdotes idosos, para que sua fidelidade continue iluminando novas gerações. Pelos que sofrem, para que encontrem consolo. Pelos que enfrentam a solidão, para que descubram na amizade de Cristo sua força diária.
São João da Cruz deixou ainda uma palavra que ilumina toda vocação:
“Onde não há amor, põe amor, e encontrarás amor.”
Que esta seja também a missão de cada sacerdote: levar Cristo onde falta esperança, misericórdia onde existe condenação, paz onde reina a violência e luz onde ainda prevalecem as trevas.
Peçamos à Virgem Maria, Mãe dos Sacerdotes e Rainha do Carmelo, que cubra com seu manto todos os ministros ordenados. Que os ensine a guardar Cristo no coração como Ela guardou, a servir com humildade como Ela serviu e a permanecer de pé junto à cruz quando chegarem as horas difíceis.
Que Santa Teresa de Jesus lhes ensine a amizade profunda com Deus.
Que São João da Cruz lhes ensine o abandono total à vontade divina.
Que Santa Teresinha lhes alcance a simplicidade, a confiança e o ardor missionário.
E que Cristo, Sumo e Eterno Sacerdote, encontre em nossos padres homens segundo o Seu Coração, enamorados da Eucaristia, apaixonados pela Palavra e inteiramente consumidos pelo amor às almas.





