“Creiam em mim: eu estou no Pai e o Pai está em mim.”

Nos Domingos de Páscoa, a Palavra de Deus nos guia a compreender e viver a Ressurreição do Senhor, origem da nossa Igreja, através da forma como a própria Igreja vive a sua missão, sobretudo no seu desenvolvimento e apostolado (primeira leitura) e a partir do seu próprio coração (Evangelho). A partir da primeira perspectiva, vemos como o novo Povo de Deus cresce e, à medida que cresce, deve adaptar a sua estrutura, como uma planta que cresce e extrai de si mesma, da sua própria essência, por assim dizer, o que necessita para adaptar a sua vida às novas circunstâncias. Neste caso, trata-se de um passo crucial, porque a Igreja, agora composta por judeus e gregos (gentios), percebe que não pode alcançar a todos com a estrutura que lhe foi dada pelo Mestre, os Doze Apóstolos. Estes Apóstolos já não são suficientes para servir a todos os que se juntam a ela; esta hierarquia original deve expandir-se, desenvolver-se e crescer para poder servir a todos, para lhes dar apoio material, mas também, como se verá em breve, a Palavra de Deus e os dons espirituais. A Igreja sempre partilha, sempre partilha ambos os tipos de bens: o cuidado com as necessidades materiais, a atenção às pessoas, mas com o objetivo final de as conduzir ao conhecimento de Deus, à luz da Revelação, à realidade de serem filhos de Deus e irmãos e irmãs de todos. Os ministros, ensina o texto, estão ali para este propósito: fazer com que todos se sintam acolhidos e dar-lhes os verdadeiros dons que a Igreja possui, aqueles que vêm do próprio Espírito de Deus. No Evangelho, entramos no Cenáculo para aprender com o próprio Jesus o fundamento da vida e do desenvolvimento da Igreja. Estes textos do Evangelho segundo São João são perfeitamente compreendidos a partir da perspectiva de Jesus, que regressa ao Cenáculo após a sua paixão, morte e ressurreição, e explica em detalhe tudo o que aconteceu e tudo o que há de acontecer — que esta foi, em essência, a Última Ceia. Neste texto em particular, Jesus fala-nos do objetivo para o qual quer conduzir-nos, para o qual nos preparou e continua a preparar, e do caminho para lá chegar. Por esta razão, chama-nos a não ter medo, a não deixar que os nossos corações se perturbem. A fé em Deus e a fé n’Ele são o fundamento, a luz, o verdadeiro dom de Deus que nos permite conhecer o Seu próprio Filho encarnado por nós. Ele veio para nos preparar e nos conduzir de volta ao Pai, Seu Pai e nosso Pai. Aí reside o nosso lugar, a nossa morada, uma para cada um de nós, o nosso ser autêntico levado à plenitude, ao seu pleno potencial. Este tempo de vida eclesial, até que Ele retorne, devemos entender como a preparação necessária, a purificação, a mudança de mentalidade e de vida que nos conduz aonde queremos ir e aonde podemos ir agora. E se Lhe perguntarmos sobre o caminho para lá chegar, Ele nos responde como respondeu a Filipe: que Ele é o caminho, a verdade e a vida. Conhecê-Lo é conhecer, “ver”, Deus. E a vida como discípulos, Seus seguidores neste caminho, nessa verdade e rumo a essa vida, é a vida.Nossa vida cristã é a revelação progressiva e a transformação em verdadeiros filhos de Deus, aqueles que vão para a sua casa e lá permanecem. Jesus nos lembra que agora se trata de alcançar a meta prometida por Deus desde o início da história da salvação: ver a Deus, conhecê-lo verdadeiramente em sua essência e substância únicas, em sua verdadeira realidade, como Pai, como Filho e como o Espírito Santo que nos conduz a Ele. E a chave para tudo é Ele, o próprio Jesus: Ele nos revela o Pai, nos dá o Espírito e nos guia por meio de sua vida e sua entrega como homem, como Deus feito homem. O mais importante é nos abrirmos à fé, ao Espírito, ao Pai que nos revela o Filho como Ele é, e então, ao longo de nossas vidas, permanecermos nessa luz, nessa vida, nessas obras pelas quais o Caminho, a Verdade e a Vida nos conduzem ao nosso lar e morada definitivos.