No domingo passado, foi-nos mostrado o caminho que conduz à Páscoa, para comemorar e reviver a redenção, que consiste na luta constante contra a tentação, a fim de vivermos cada dia mais plenamente como filhos de Deus e verdadeiros irmãos e irmãs. Hoje, somos lembrados da meta, da vida divina e da transformação para a qual caminhamos. E, em ambos os casos, é o próprio Jesus quem nos mostra isso em sua vida humana. Certamente, ele é o caminho, a verdade e a vida para nós, e hoje quis mostrar-nos que esta Vida e Verdade residem em seu próprio ser. Portanto, naquele monte, seu corpo mortal, como o nosso, sua Sacratíssima Humanidade, como sempre dizia Teresa de Ávila, revelou-nos seu interior, o Deus vivo e verdadeiro que se oculta e se revela. Esta Humanidade, iluminada interiormente pelo próprio Deus, é o cumprimento das promessas de Deus a Abraão (primeira leitura) no início da história da salvação que culmina em Cristo. Deus prometeu àquele homem, e a todos os que o seguissem e cressem naquele que o chamou, uma terra que lhe mostraria e uma descendência. Isso é tudo o que ele precisava e tudo o que nós precisamos: um lugar para vivermos como realmente somos, e podermos fazê-lo para sempre. Isso é um lar e a vida eterna com uma família. Contudo, para ter essas coisas, Abraão teve que deixar o que possuía — sua terra e o que chamava de família — e embarcar numa jornada de descoberta do verdadeiro Deus, o único capaz de cumprir essas promessas. Deus queria nos devolver o que nossos primeiros pais perderam: sermos deuses como filhos de Deus, e não da maneira falsa que a humanidade tem tentado alcançar desde então, por seus próprios meios ou curvando-se ao Maligno. Por isso, Jesus mostrou-lhes a sua verdadeira realidade, a sua Pessoa, que unia inseparavelmente e inequivocamente Deus e a humanidade, primeiro a alguns discípulos e depois também a nós, num dia como hoje: a sua carne e alma humanas transfiguram-se para revelar a sua divindade, e toda a teofania manifesta que Ele é o cumprimento e aquele que cumpre as promessas divinas. A nuvem escura, também sinal da presença divina e, sobretudo, da voz do Pai, que esta escuridão protege e revela, sublinha e confirma tudo o que a visão sugere. De facto, este homem é o Filho amado do Pai, o único em quem Ele se deleita, reflete e revela, aquele a quem Ele dá todo o seu amor e que o retribui plenamente, sem reservas. Deus Filho é aquele que veio e permanece connosco, e cada palavra e gesto seu, especialmente o último e maior da sua total entrega à vontade do Pai, torna possível que também nós sejamos filhos de Deus e, consequentemente, irmãos e irmãs. Este momento especial de revelação está também intimamente ligado à nossa celebração do Sacramento. Ali e aqui, são a Lei e os Profetas — Moisés e Elias — que nos guiam para descobrir e, sobretudo, seguir Aquele que assim se revela. Eles também nos anunciam que este Homem que é Deus vencerá a morte que nos aflige na carne.Como celebramos todos os domingos, quando revivemos o seu sacrifício na Eucaristia. Assim, Jesus revela-se a nós hoje como o verdadeiro objetivo e fim da nossa jornada cristã de conversão. Ele é a promessa cumprida e está ao nosso alcance porque fomos radicalmente chamados pelo Pai a sermos seus filhos e, portanto, irmãos e irmãs uns dos outros, a sermos como Jesus, a uma vida de serviço e dedicação a Deus e aos outros, a uma divinização progressiva, para que todo o nosso ser, corpo e alma, se torne cada vez mais semelhante ao Homem perfeito, o Senhor Jesus Cristo.
II Domingo da Quaresma – “Ele foi transfigurado diante dos olhos deles.”
leia também...

Festa de Nossa Senhora do Carmo – Noite
21 de julho de 2026

Festa de Nossa Senhora do Carmo – Manhã
21 de julho de 2026

9º Dia da Novena de Nossa Senhora do Carmo
21 de julho de 2026

37 anos de Fundação do Carmelo Cristo Redentor
16 de julho de 2026

✨ 16 de Julho – Solenidade de Nossa Senhora do Carmo ✨
15 de julho de 2026